Entre as pessoas que habitam hoje esta metrópole, poucas conheceram os típicos porões que compunham estruturalmente as velhas casas de alvenaria de tijolos, presentes na paisagem urbana paulistana a partir das últimas décadas do século XIX. Diz-se, entre os arquitetos, que São Paulo, a grande cidade sul-americana, é autofágica: sua expansão continua a suprimir o antigo casario, transformando dia-a-dia a paisagem, interditando horizontes pelos acentos verticais de concreto, aço e vidro que surgem, assim como naquele tempo o próprio tijolo devorou as taipas, que imprimiram no passado a fisionomia de pequena cidade colonial, substituindo-as no intenso processo das mudanças em marcha, impulsionadas pelo desenvolvimento econômico com a exportação do café e a industrialização que se iniciava.

O sobrado em que viveu o autor de Macunaíma resistiu. E de um modo especial, a expo-instalação que você vai ver e ouvir ressignifica este porão, ocupando-o com referências ao universo amazônico que um dia habitou o imaginário do poeta.

Espaço estrutural do sobrado, abrigo de imaginários e refúgio inusitado de Mário de Andrade, o porão hoje recebe uma instalação videográfica e exposição de fotografias realizadas durante as viagens da equipe que produziu o documentário Antiga Amazônia Presente, resultado de um projeto cultural apoiado pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, com relatos de pessoas que mantêm alguma relação com artefatos arqueológicos de sociedades que viveram no passado da Amazônia, atribuindo no presente sentidos e valores a eles.

Vídeos foram especialmente editados para projetarmos imagens dos lugares visitados na produção de Antiga Amazônia Presente. E as fotografias expostas foram selecionadas entre milhares que a equipe do documentário reuniu. Instantes representativos das gravações, mas também afetivos, na medida em que conformam a memória daquelas viagens.

O porão um dia foi preenchido com parte da grande biblioteca formada pelo modernista que, viajando rio adentro, conheceu a Amazônia, como um turista aprendiz. Entre revistas, jornais e outros tantos objetos organizados por ele, havia ali espaço de reflexão, preenchido por um outro tempo, de ritmo muito distinto, pessoal, interior. Re-ocupar o porão foi como escavar a memória deste recinto especial. Aqui você ilumina o percurso de seu próprio olhar, entre imagens significativas de uma experiência audiovisual por antigas paisagens do Baixo Amazonas. Assim, a metáfora proposta também é uma viagem aos recessos do imaginário, simbolizado pelo porão da Casa de Mario de Andrade.

Silvio Luiz Cordeiro
Diretor de Antiga Amazônia Presente


Antiga Amazônia Presente | Memórias de um Documentário
Expo-instalação no Porão da Casa Mário de Andrade

20 setembro 2016 — 01 abril 2017

Projeto Expográfico
Silvio Luiz Cordeiro

Curadoria
Cristina Demartini
Silvio Luiz Cordeiro
Wagner Souza e Silva

Fotografias
Carla Gibertoni Carneiro
Cristina Demartini
Luiz Bargmann
Silvio Luiz Cordeiro
Wagner Souza e Silva

Instalação Videográfica
Silvio Luiz Cordeiro

Imagens em Vídeo
Luiz Bargmann
Silvio Luiz Cordeiro

Iniciativa e Produção
Casa Mário de Andrade
Museu Imaginário – Arte, Cultura e Ciência

Coordenação de Produção
Marcelo Tápia
Marcelo Tupinambá
Patrícia Pontin

Monitoria
Angélica dos Santos Angelo
João Reynaldo Pires Júnior

Apoio Técnico
Allan Salles
André Menezes
Ivanei Silva
Karina Borgo
Luis Fernando Alemar
Marcelo Cavalcante

Apoio Institucional
Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo
Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária USP
Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura
Governo do Estado de São Paulo

Apoio Cultural
Museu Imaginário – Arte, Cultura e Ciência

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