Com a produção de Museu Imaginário, o projeto concebido pela historiadora Vera Lucia Amaral Ferlini e pelo arquiteto e arqueólogo Silvio Luiz Cordeiro leva o público a viajar por uma experiência artística audiovisual em projeções mapeadas nas ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos, zona noroeste da Cidade de Santos. Importante patrimônio histórico e arqueológico, considerado um monumento nacional, as estruturas arquitetônicas remanescentes na paisagem urbana estão entre as mais antigas do período colonial da história do Brasil, construídas por volta de 1534.

Silvio Luiz Cordeiro assina a direção artística e roteiro desta produção original. Para o projeto, Cordeiro convidou artistas para participarem da equipe de criação, contando assim com Bijari (animações) e Felipe Julián (música). O sistema de projeção foi instalado pela ON Projeções, sincronizando sete projetores de alta resolução.

O roteiro foi desenvolvido a partir de estudos das diversas fontes documentais e iconográficas em História do Brasil e História da Técnica, além da própria Arqueologia nas ruínas deste Engenho que foi instalado pelo donatário da Capitania de São Vicente, Martim Afonso de Souza, fundador da primeira vila colonial regular no Brasil, em 1532. Anos depois, o Engenho do Governador, também chamado dos Armadores, foi adquirido por Erasmus Schetz (1480 – 1550), grande mercador e financista estabelecido em Antuérpia.

Os remanescentes deste velho Engenho testemunham as relações comerciais entre Portugal e Flandres, que remontam ao século XIII e XV, e se desenvolveram a seguir, além-mar, a exemplo dos investimentos de Erasmus e seus filhos na produção de açúcar no Brasil Quinhentista. Nesse sentido, o monumento pode ser considerado em uma dimensão maior, ao ultrapassar fronteiras, pois a sua existência se inscreve na história de três nações: Brasil, Portugal e Bélgica. Todavia, essa dimensão é ainda mais abrangente — e dramática — pela exploração colonial que envolveu gentes escravizadas na África, além dos próprios territórios indígenas conquistados. Por isso, estas ruínas constituem importante testemunho não apenas para o Brasil, mas para um período histórico de profundas transformações que inauguraram a Idade Moderna.

Compõem a narrativa audiovisual artística referências à escravidão, à tecnologia (por exemplo da navegação astronômica nas travessias oceânicas; das moendas nos antigos engenhos e usinas de hoje; do levantamento das estruturas por varredura a laser), às fontes primárias (como a leitura, na voz do historiador belga Eddy Stols, do manuscrito flamengo redigido em 1548 sobre o Engenho de Erasmus Schetz no Brasil), entre outras referências simbólicas incorporadas pelas projeções em vídeo, remetendo a um contexto histórico que ultrapassa 480 anos deste significativo monumento.

Bem tombado pelo IPHAN, CONDEPHAAT e CONDEPASA, é a evidência física mais antiga dos primeiros engenhos de açúcar instalados em territórios indígenas, ainda em conquista pelos europeus que aqui chegaram, engendrando, a partir da exploração colonial, as bases econômicas e socioculturais sobre as quais o Brasil se formou.

Memórias de um Velho Engenho contribui assim para ampliar o conhecimento do público sobre estas ruínas, promovendo novas formas de apropriação deste patrimônio histórico, valorizando nossa cultura pela arte e educação.

A programação do evento está disponível aqui www.engenho.prceu.usp.br


Videomapping: sítio histórico e arqueológico reconstrói história de 500 anos em espetáculo tecnológico

Engenho dos Erasmos reconstrói história de 500 anos em espetáculo tecnológico

O Engenho dos Erasmos ou dos Esquetes em São Vicente, texto de Eddy Stols e Silvio Luiz Cordeiro publicado no livro Brasil e Bélgica: cinco séculos de conexões e interações.


Direção Artística e Roteiro

Silvio Luiz Cordeiro

 

Produção

Museu Imaginário

 

Arte e Animação

Bijari

 

Música

Felipe Julián

 

Voz

Eddy Stols

 

Patrocínio

BNDES

 

Realização

PRCEU USP

Museu Imaginário

Bijari

ON